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INTRO: ÁRVORE VELOZ (UM LIVRO MULTI-MÉDIA)
...Porque os tenho lido e enviado muitas
palavras formosas que não tem-me
oferecido todo o serviço que delas
esperava, necessário será fazer deste
último relato minha defesa, e dizer
o que de melhor sei para que assim o
julguéis com bondade.
Mesmo porque não me amarais, estas são
coisas que os olhos gostam de olhar, os
ouvidos de ouvir e a memória de
lembrar...
De "Bestiario de amor" (1250)
Richard de Fournival
1.- Árvore Veloz pode ser
definida como um livro multi-média, uma base da forma que por
meio da atual tecnologia, transforma o trabalho poético numa
obra multidisciplinária para ser olhada, ouvida, lida e curtida
por qualquer operador de PC na sua própria tela.
Tem o mérito de alargar no nosso meioa linguagem do CD Rom no
campo criador, sendo o primeiro poemário que se faz no Uruguai,
de autor contemporâneo, como estas caraterísticas.Um mérito e
um risco incluído em todo começo que se atreva a fusionar as
formas mais antigas de expressão com as mais modernas técnicas
de realização e difusão.
2.- Em si mesma a poesía desde suas origens (se fazemos marcha
ré aos epos gregos tanto quanto aos hinos cosmogônicos das
civilizações mais antigas do oriente e ocidente) tem sido
chamada de Canto; uma forma particular de integrar o som e a
imagem através da palavra elaborada para ser dita com
acompanhamento de instrumentos musicais como a lira, elemento
este que levou a chamar o gênero de lírico.A definição
renascentista da lira de braccio nos leva a um instrumento de
cordas dos séculos XV e XVI usada para improvisos
polifônicos (Websters Encyclopedic Unabridged
Dictionary). Este qualificativo resulta muito apropriado para ser
logo levado ao trabalho de entroncamento entre as formas verbais
e musicais que são a base de Árvore Veloz.
Os poemas, escritos a priori, foram mutando-se harmoniosamente
partindo da execução de sons musicais feitos pelo compositor e
músico Alvaro Pasquet. Depois de gravadas as primeiras séries
de gravações em caráter de improvisos, fomos dando às
composições formas cada vez mais definitórias até que a
palavra e o som fizeram-se indissolúveis um do outro de forma
que o som não fosse apenas uma cortina musical. Assim como numa
jam session, ou na tradicional trova gauchesca - poema
improvisado e ritmado, onde se misturam o dizer e o
canto sobre uma simples base rítmica de violão, originada no
uso que os gaúchos do Rio da Prata fizeram da
"vihuela", pequeno violão herdada dos espanhóis - a
voz e o som vocalizado foram-se complementando numa
sintonização do qual nasce um produto órfico.
Nessa linha de trabalho, zumo negro e fragmenta
cavalgada foram ditos de improviso diretamente no estúdio
de gravação.
3.- Partindo das nove composições já em mixagem em nível de
audio começa a fase de visualização com a integração de
imagens e gráficos que introduzem um outro nível de expressão
ao conjunto na base do CD Rom.
De tal jeito que o aporte tecnológico e programático do
projeto, coordenado por Silvina Rusinek, supera sua área e
transforma-se tambén em um ato de criação. Através de
desenhos, fotos, vídeos e breves animações, realizados por
artistas especializados em cada área, enfrentamos o
espectáculo poético integral, um pequeno cenário
ou teatrinho para ser olhado através do monitor.
A causa sinestésica, a fome de imagens e a multidão de rítmos
do rádio ou da escuta de fins de século XX obtém assim o
possível entroncamento como a ancestral arte poética.
Também foi nosso desejo manter a chance de que esse receptor,
auditório multimediático de enorme desenvolvimento perceptivo,
poderá ser também um simples leitor dos poemas que
formam o livro em diferentes linguas (espanhol, português e
inglês) cobrindo assim a ascendente universalidade do formato
como a sua difusão tanto no mercado regional quanto mundial.
O leitor curioso poderá também ter entrada a uma série de
referências intertextuais que, igualmente que numlivro impresso,
o levará a rastrejar mitos, lendas ou discursos poéticos
implícitos que dialogam por associação tanto com a tradição
poética como com o modernismo.
Assim sendo é muito o que podería teorizar-se em relação a
este projeto e suas aplicações no território da teoria
literária incorporada aos meios eletrônicos.
Este prólogo tenta mostrar, como uma conclusão provisória, que
a poesía através da ajuda do CD Rom, longe de perder sua
essência, recupera a polifonia dos signos materializando-os
através do som e da imagem. É a palavra abrindo-se
poéticamente num mundo onde a pluralidade da dissertação acaba
sendo altamente multisensorial em relação aos atuais meios que
a tecnología moderna oferece, numa constante referência às
formas de expressão da arte contemporânea e estamos também
certos, do futuro.
Arvore: remite-nos à
prodigiosa obra da natureza, que desde uma raiz e um tronco comum
se eleva do chão hacia uma considerável altura,
ramificándo-se, formando uma grande unidade orgánica. Assim, o
poema com respeito das palavras. Por outra parte, remite à
elaboração da pasta de papel, que nos últimos seis séculos
tem servido, desde os tempos da imprenta de Johannes Gutenberg
(1400-1468), como o soporte básico da escritura, e agora
comença a ser integrado a novas formas de difusão, através da
informática. The informatic tree.
Veloz:
remete justamente à seqüencia imaterial do som, e
principalmente, à velocidade de transmissão própria dos meios
eletrónicos no mundo informático, do qual, a palavra poética,
já não estará ausente.
Um fervoroso agradecimento a cada um dos que têm feito possível
o encontro, de raíz e altura, que significa para o autor, esta
Arvore Veloz.
Luis Bravo
avril 1996
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